Junho chega afinado ao compasso do fole e das cordas na Caixa Cultural Recife. Entre os dias 4 e 6; depois, 10 a 12 de junho, o espaço recebe o espetáculo “Mestre Gennaro e a Banda de Pau e Corda”, encontro que une duas potências da música nordestina em uma celebração atravessada por memória, festa e invenção.
De um lado, o acordeom de Mestre Gennaro, herdeiro direto da linhagem aberta por Luiz Gonzaga. Do outro, a sonoridade artesanal da Banda de Pau e Corda, referência da música pernambucana desde os anos 1970. Juntos, eles costuram um repertório que passeia por clássicos do forró, do baião e do xote, sem perder o frescor de novos arranjos e releituras.
O show mergulha no imaginário das festas juninas sem cair na nostalgia fácil. A proposta é revisitar canções e autores fundamentais da cultura nordestina – entre eles Dominguinhos, Anastácia, Marinês e Sivuca —, sob uma atmosfera acústica-amplificada, em que sanfona, pífano, viola e vozes desenham paisagens sonoras de terreiro, estrada e fogueira.
Com direção musical compartilhada, a apresentação tem cerca de 80 minutos. Em algumas sessões, a experiência também ganha em acessibilidade e troca direta com o público: os dias 5 e 10 contarão com intérprete de Libras e conversa com os artistas após o espetáculo.
A venda de ingressos começa a partir do meio-dia desta sexta (29), em link divulgado no site da Caixa Cultural.
Duas trajetórias moldadas pela música nordestina
A trajetória de Gennaro parece saída de um romance nordestino. Ainda menino, recebeu do pai a primeira sanfona e aprendeu sozinho a transformar respiro em música.
Na década de 1970, passou a integrar a banda de Marinês, conhecida como Rainha do Xaxado.
Poucos anos depois, foi convocado pelo próprio Luiz Gonzaga para acompanhá-lo nas temporadas juninas. Mais tarde, assumiria também os vocais do Trio Nordestino.
Radicado no Recife desde os anos 1990, o músico expandiu o forró para além das fronteiras brasileiras, levando sua sanfona a palcos europeus e turnês internacionais sem abandonar o sotaque do sertão.
Já a Banda de Pau e Corda construiu, ao longo de cinco décadas, uma identidade própria baseada no encontro entre palavra, melodia e memória afetiva.
Criada pelos irmãos Roberto, Waltinho e Sérgio Andrade em meio à efervescência cultural recifense dos anos 1970, a banda nasceu da mistura entre instrumentos populares, poesia e harmonias vocais sofisticadas. O batismo veio pelas mãos de Quinteto Violado, enquanto nomes como Gilberto Freyre ajudaram a legitimar o grupo ainda nos primeiros passos.
Com dez discos lançados, indicação ao Grammy Latino 2022 e apresentações em países como Argélia e China, o conjunto segue transformando a cultura nordestina em matéria viva — dessas que dançam, emocionam e permanecem acesas mesmo depois que o arraial termina.
SERVIÇO
Show de Mestre Gennaro e Banda de Pau e Corda
Quando: 4, 5, 6, 10, 11 e 12 de junho de 2026, às 19h30 | Sessão de 5 e 10 de junho com intérprete de Libras e bate-papo com os artistas após show
Onde: Caixa Cultural Recife – Av. Alfredo Lisboa, 505 | Bairro do Recife
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada para clientes Caixa e casos previstos em lei) | vendas a partir de sexta-feira (29), em link no site da Caixa Cultural
Informações: (81) 3425-1905 | Site da Caixa Cultural | Instagram: @caixaculturalrecife